0

O conceito de amizade na espiritualidade cristã

by nadia 29. July 2010 08:42

  

Amizade que nasce de Deus Uno-Trino.

A amizade entre os homens possui um fundamento transcendente. Deus é, em si mesmo, amizade, porque n’Ele há três distintas pessoas que vivem em perfeita comunhão. Desde toda a eternidade, Deus é Pai, Filho e Espírito Santo. Os três subsistem numa eterna relação de amor-amizade. Segundo Santo Agostinho, em Deus há o Amante, o amado e o amor.

Deus-Pai é o amante. Jesus-Filho, o amado. O amor é o Espírito Santo, comunhão de amor entre o Pai e o Filho. Ao se autocomunicar aos homens, Deus o faz trinitariamente.

No AT, Deus inicia sua autocomunicação fazendo uma promessa a Abraão e uma aliança com todo o povo que libertara do Egito através de Moisés. Deus constituiu um povo com o qual estabeleceu verdadeira aliança de amizade, de tal modo que ele se tornou o Deus de Israel. No NT, através da entrega de Jesus, Deus comunicou plenamente o seu mistério. Só através de Jesus sabemos que Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.

Deus-Pai quer ser amigo dos homens, mas quer que tal amizade se realize no mistério do Filho. Deus se dá a nós através do seu Filho Jesus. O Pai se entrega ao Filho e nos entrega o Filho. O Filho se entrega ao Pai por nós e se entrega a nós. Tal entrega acontece no Espírito Santo, Espírito que nos é entregue pelo Pai e pelo Filho. O Pai e o Filho se entregam a nós no Espírito. O Espírito não é o amigo dos homens, mas a causa imediata da amizade dos homens com Cristo. O Espírito nos faz ser amigos de Jesus. Ele não é, portanto, o amigo, mas a própria amizade. Estando em comunhão com Cristo por graça do Espírito, somos filhos e amigos do Pai. A categoria amizade explicita o cristianismo, cujo fundamento é o amor-caridade.


Mais do que servos: amigos!

Jesus, o Filho no qual o Pai fez amizade com os homens, durante a sua existência histórica, mostrou-se verdadeiramente amigo de todos. Anunciou o Reino do Pai, cujo epicentro se encontra na amizade fraterna. Ele quis que os homens se tornassem amigos de Deus-Pai e amigos uns dos outros. Aproximou-se daqueles que não tinham amigos e viviam à margem da sociedade. A ninguém Jesus exclui do seu círculo de amizade. Ao contrário, prostitutas e cobradores de impostos se tornam seus amigos, seduzidos pela beleza de suas palavras, por sua bondade e misericórdia.

Jesus define sua missão como amizade. “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi do meu Pai” (Jo 15,15). Ele assume a condição humana para se tornar o grande amigo dos homens. Seus discípulos não são servos, mas amigos, o que revela profunda intimidade afetiva. E o amigo Jesus não abandona, permanece sempre fiel aos que lhe são fiéis. “Permanecei em mim e eu permanecerei em vós” (Jo 15,4).


A vivência do amor: centro da mensagem cristã

Ao compreendermos o cristianismo como amizade, constamos que o cristão, por ser amigo de Jesus, torna-se amigo de todos. O próprio Jesus deixa-lhe esta missão. “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amo. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá sua vida por seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando” (Jo 15,12-14). O mandamento do amor, que é o legado de Jesus aos discípulos no Evangelho de João, não se traduz numa assistência fria e indiferente aos outros. O amor, que caracteriza a vida cristã, vive-se num verdadeiro clima de amizade, o que exige real envolvimento com os dramas e angústias do que estão à nossa volta.

Quando chegamos a ser amigos, nossa atitude reflete o amor-amizade de Deus em nós. Toda verdadeira amizade que há no mundo, mesmo fora dos muros do cristianismo, é vestígio da presença real de Deus-amigo na história. O “vejam como eles se amam” fez muito mais para a difusão do cristianismo do que toda teologia e todos os documentos que foram escritos ao longo dos séculos. O que mais atrai na vida dos santos não são seus feitos grandiosos, mas sua amizade-solidariedade com os outros, mormente com os mais abandonados e desprezados.


Especiais amigos

Enquanto cristãos, somos amigos de todos. Mas o que dizer dos amigos mais próximos, daqueles que se tornam nossos amigos de uma maneira especial? Evidentemente, podemos ter amigos íntimos, pessoas com as quais compartilhamos nossos sentimentos e angústias mais profundos. Pessoas a quem revelamos nossos segredos.

Por um lado, somos amigos de todos, por outro, apenas de alguns com quem temos mais afinidades, criadas pelas circunstâncias da vida ou por identificações afetivas. Que dizer dessas amizades? São também uma graça de Deus. O próprio Jesus, que se fez amigos de todos, parece ter sido mais próximo de alguns. João tornou-se conhecido como o discípulo amado. “Jesus ficou perturbado em seu espírito e declarou abertamente: ‘Em verdade, em verdade vos digo, um de vós há de me trair!’ Os discípulos olhavam uns para os outros, sem saber de quem falava. Um dos discípulos, a quem Jesus amava, estava à mesa reclinado ao peito de Jesus” (Jo 13,21-23). Este “a quem Jesus amava” designa, talvez, certa proximidade de Jesus com João.

João relata, ainda, a especial amizade que Jesus nutria por Maria, Marta e Lázaro, os irmãos de Betânia. Quando Lázaro veio a falecer, suas irmãs mandaram um recado para Jesus. “Senhor, aquele que amas está enfermo” (Jo 11,3). O evangelista constata: “Jesus amava Marta, Maria, sua irmã, e Lázaro” (Jo 11,5). Mostra-se surpreende a emoção que Jesus demonstra ao se encontrar com suas amigas. “Jesus ficou intensamente comovido em espírito. E sob o impulso de profunda emoção” (Jo 11,33). E mais, antes de ressuscitar Lázaro, afirma João que “Jesus pôs-se a chorar” (Jo 11,34).

O episódio revela que Jesus, amigo verdadeiro de todos, tornou-se amigo de alguns em especial, o que é compreensível, porque o homem-Jesus possuía uma psicologia humana e afetos humanos e era capaz de construir relações profundas. Ele amou a todos, mas de modos diferentes. O mesmo se observa na vida dos santos, amigos de todos, viveram grandes amizades. Francisco de Assis e Clara, Teresa e João da Cruz, Francisco de Sales e Joana de Chantal.

Em nossa existência cristã, ainda que chamados a cultivar uma amizade com todos, temos amigos especiais. Pessoas mais próximas, que nos acolhem em qualquer situação. Sempre dispostas a nos ouvir em profundidade, sem preconceitos ou julgamentos moralizantes. Suas palavras nos iluminam. Querem sempre o nosso bem. É uma grande graça encontrar pessoas assim. Tais amigos não nos impedem de viver a amizade com todos a qual somos chamados. Ao contrário, porque nos amam, nos fazem capazes de amar ainda mais os outros, até mesmo aqueles que temos dificuldade de amar. Seu amor nos sustenta e encoraja.


Amigos: remédio para a alma

A sabedoria popular cunhou um ditado para expressar esta amizade. “Se conhece o amigo certo nas horas incertas”. Reza ainda o ditado latino: “Amicus vitae medicamentum est” (O amigo é o remédio da vida). E canta Roberto Carlos: “Não preciso nem dizer, tudo isto que eu lhe digo, mas é muito bom saber, que você é meu amigo”. A sabedoria popular encontra eco na própria Sagrada Escritura, que propõe critérios para o discernimento da verdadeira amizade. Vejamos o Eclesiástico: “Dá-te bem com muitos, mas escolhe para conselheiro um entre mil. Se adquirires um amigo, adquire-o na provação, não confies nele tão depressa, pois há amigo em certas horas que o deixará de ser no dia da aflição” (Eclo 6,6-8).

A aflição emerge como a prova da amizade. O que abandona na dificuldade não é amigo. Já o amigo fiel revela-se um tesouro inestimável, superior ao ouro e à prata. “Um amigo fiel é uma poderosa proteção, quem o achou, descobriu um tesouro. Nada é comparável a um amigo fiel, o ouro e a prata não merecem ser postos em paralelo com a sinceridade de sua fé. Um amigo fiel é um remédio de vida e imortalidade, quem teme o Senhor, achará este amigo” (Eclo 6,14-16).

Que o Senhor nos conceda a graça de sermos, antes de tudo, seus amigos e amigos de todos os nossos irmãos, mas também a graça da amizade sincera de alguns poucos.

 Pe. Paulo Sérgio Carrara, C.Ss.R.
Nossa Família / Julho de 2010

Tags:

Artigos

0

VIVER NO ESPÍRITO

by nadia 17. May 2010 10:17

 

VIVER NO ESPÍRITO



Pe. Dalton Barros de Almeida, C.Ss.R.


DESCONSTRUINDO.


É saudável des-fazer o engano seguinte: o sujeito humano como corpo (Parte I) e como espírito (Parte II). Não, nós não somos duas partes reunidas e que um dia se separarão. Separar-nos em duas partes, corpo/espírito, é um engano venenoso.Esse modo envenenado fincou raízes vindo do mundo grego de pensar a vida. Não é o modo bíblico de pensar a realidade humana. Então, cada cristão precisa des-montar na sua cabeça este esquema, também chamado de dualismo. Não nos ajuda entender o que somos, a totalidade de nós. Um ser inteiro, ainda que composto. Em tal modelo o corpo morre e fica por aqui; já o espírito voa e seria julgado por Deus. Não. Assim não dá. 

Para toda vida: 


“É por isso que nós não perdemos a coragem; e mesmo se, em nós, o homem exterior se encaminha para a ruína, o homem interior se renova dia a dia”. 2Cor4, l6 

ENTENDENDO MELHOR. 

Nas Escrituras existe o ser humano-carne. Dizendo “o Verbo se fez carne”,estamos afirmando: o Filho único do Pai se fez homem, gente como nós; chora,sofre, canta, vibra, anuncia, tece relações. Cada um de nós, homem ou mulher,se relaciona, se aproxima, se comunica, se toca, se quer bem. E sofre por não dar conta, de saída, ao melhor de si mesmo. Somos um feixe de relações. Portanto, o sujeito humano-corpo é a pessoa toda em um fluxo de relacionamentos. 

Nas mesmas Escrituras existe o ser humano-espírito: é a pessoa toda enquanto se relaciona com o que nos transcende, com o Mistério Divino, Deus. Sujeito humano-espírito somos nós quando sonhamos e desejamos, buscando uma destinação permanente e feliz. Queremos ser eternos. Queremos Deus. 

Para toda vida: 


“Vem, Espírito Santo! 
Vem, força de Deus e doçura do Senhor. 
Vem, tu que és ao mesmo tempo 
Movimento e repouso. 
Renova a nossa coragem 
Cria em nós a intimidade com Deus”. (Cantalamessa) 


VIVER NO ESPÍRITO. 


Espírito diz que somos sujeitos. O computador não é sujeito. Não pensa, não decide, não escolhe, não ama, não se arrepende, não recomeça fazendo coisas novas. Apenas está inteligentemente programado. É máquina. Nós somos – Deus seja louvado – criaturas criadas criadoras. Não somos programados. Somos gente de liberdade. Criamos nossa identidade, construímos um modo de ser e conviver.Pessoas e cidadãos em democracia para todos. Não somos máquina biológica, somos biografia: temos uma história e vamos realizando coisas novas. 
Somos Espírito. Construímos com os outros caminhos de cidadania. Seremos sempre uma história de libertações e de liberdade. Homem-espírito significa, então,cultivadores da subjetividade. Cuidamos de nós mesmos e de nosso potencial de criar, de nos tornar solidários. Homens e mulheres, pessoas à luz do Deus da Vida. 


Para toda vida: 


“Sabermos que estamos nele e Ele em nós por nos haver dado o seu Espírito” 1Jo4,13. 
- Vinde, Espírito de Deus, dai aos corações, vossos sete dons. 

DE QUE ESPÍRITO FALAMOS.


Na raiz do existir, o Espírito nos encaminha para o Espírito Santo, dom recebido de Jesus e do Pai: o que se faz presente em tudo e coloca a existência em movimento; gera e sustenta a vida; nutre em nós o desejo de mais ser. Ele renova a face da terra. É como o vento, o Sopro; é inspiração. Viver segundo o Espírito é a definição que o apóstolo Paulo dá para a vida cristã. 
O Cristo Senhor é Espírito, pois ressuscitado. Não mais é segundo a carne:fraco e mortal. Jesus de Nazaré o crucificado, já não morre. Jesus, o Cristo,vive no modo pleno do Espírito que ressuscita toda carne. (Creio naressurreição da carne. Crês deveras?) Todo batizado, seguidor de Jesus está na liberdade. Há de se tornar nova criatura. Há de viver a espiritualidade que vem do Espírito Santo, criador da vida que vai vencendo em nós as células de morte,as intrigas de maldades, as cumplicidades destruidoras da verdade e do amor. 

Para toda vida: 


- A cada dia plantamos alguma coisa. Fica a pergunta: o que exatamente você vem plantando a cada dia? 
- Sementes de vida. Rumine esta pequena frase. E pense a seguir: Que colheita virá do que planto cada dia? 

FALAMOS DO ESPÍRITO SANTO.


Falamos do Espírito Santo que recebemos de Jesus ressuscitado. Espírito de Amor e Verdade, da verdade que nos liberta; chamando-nos à comunhão com todos os seres e com as pessoas. Construindo o Reino do Pai. Nestes caminhos pelos campos do Reino somos solidários. Sem exclusões. 
O Espírito Santo não nos traz nenhuma mensagem diferente das coisas humano-divinas de Jesus. Confirma o que nos foi revelado em Jesus e por Jesus. Educa-nos na compreensão da pessoa de Jesus e sua missão redentora. Facilita-nos ler “os sinais dos tempos” e agir segundo a justiça do Reino. Em favor de todos. Atualiza na vida da Igreja, e nas escolhas de cada um, a experiência de amar como Jesus. Espírito, pois, vivificante. 1Cor 15, 45. 2 Cor3, 17. 

Para toda vida: 


“Tu que és o Espírito criador e reúnes todas as coisas, 
faça-me entrar em comunhão com o universo e com todos os seres, e especialmente com aqueles que sofrem”. (L. Boff) 
- Consolo que acalma, hóspede da alma, doce alívio, vinde!


LÍNGUAS DE FOGO. 


“Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo” Lc 3,16. Sobre os apóstolos reunidos no Cenáculo o Espírito é recebido em forma de línguas de fogo. Ele vem para a purificação e para o ardor pelo Reino. Para a evangelização. Por uma vida espiritual sem mediocridade.

Purificação. Viver no Espírito é viver um caminho de mudanças. Todo aquele que se sabe mudado, ajuda a realidade a ser melhor. Espiritualidade de mudanças.“Eis que faço novas todas as coisas”. Novo jeito de ser em família; de ser companheiro (a) no trabalho; de ser cidadão.

Não somos sozinhos criadores de nós mesmos. Muitas são as ajudas e muitas as interferências. Além de haver em nós mesmos o fogo estranho dos desafetos, das injustiças praticadas e recebidas, da violência, da corrupção, da vida em pedaços. O pecado nos fragmenta; as infidelidades nos perdem. A chama divina queima em nós essas contradições. Ela é perdão, absolvição: dissolve o mal. “Ao sujo, lavai. Ao seco, regai. Curai o doente. Dobrai o que é duro. Guiai no escuro. O frio aquecei”. Dissolvendo o mal, torna-se “no labor, descanso. Na aflição, remanso. No calor, aragem”... para que a vida seja solidária. Para que haja horizontes de esperança. Honradez. 


A vida é um experimentar a nós mesmos através de relacionamentos, do trabalho,das ocupações, do ser Igreja. Que aprendizado! No fogo divino a vida cura a vida. Dói, é verdade. E muito! Mas nos liberta de vícios, dependências, apegos.Livra-nos de levar a vida pelo seu lado menor, às vezes mesquinho e utilitarista. O Espírito Santo em nós acende a chama da dadivosidade: abertos,generosos, dedicados. Como Jesus: dar a vida; dar vida. 

Para a vida toda: 


- Só vê o mundo transfigurando-se quem purifica seus olhos e conserva limpo ocoração. Somente assim podemos sentir o mundo irmão. Em comunhão universal. 
- Pergunta: Como você vem assumindo o fogo purificador que é a presença doEspírito Santo, hóspede de seu ser? 
- Enche, luz bendita, chama que crepita, o íntimo de nós! 

A CHAMA. 


Viver segundo o Espírito é ir pela vida experimentando mudanças interiores. E gerando mudanças grupais, societárias, democracia social: direitos iguais para todos. 

Nós, e a Igreja que somos, parecemos então como uma vela. Nossas condições devida são a cera, o volume, o entorno, a carne do ser. O pavio é nossa escolha por uma estrutura de vida que faz sentido, traz valor e gosto de conviver,alegria de ser. A chama é o Espírito Santo de Jesus que nos faz percorrer caminhos de luz. A chama arde, queima, derrete as durezas e nos torna LUZ(Enchei, Luz bendita, chama que crepita, o íntimo de nós!). Assim, entramos no movimento da copiosa redenção de Jesus para toda a história humana que se transmuta em história de Salvação.

Vivendo como LUZ, na luz de Cristo, vivemos nosso caminho no quente das situações humanas. Vida intensa. Vida de serviço. Vida de gente livre e fiel em Cristo. Todos pertencentes à Casa do Pai. E peregrinando por este planeta Terra, assumimos tudo que é verdadeiramente humano. Ao fazê-lo, podemos desistir de ambições e poder destrutivos; podemos em meio às asperezas da vida fazer uma pausa e celebrar Deus-conosco:- a Eucaristia.

Nas celebrações reacende-se em nós todos ali reunidos a luz do mesmo amor, da mesma esperança que nos fortalece para as lutas. Sim, a espiritualidade de quem vive no Espírito nos ensina a celebrar a vida com os companheiros de trabalho, como os amigos, em família. Tudo floresce com gosto de vitória sobre as obscuridades da convivência, sobre as escuridões da sociedade desigual e violenta, sobre as noites escuras da alma. 

Para toda vida: 


Guarde na memória do coração:

1. O Espírito nos chama à comunhão.

2. O Espíritonos impulsiona às transformações.

3. O Espírito nos faz viver como Luz, segundo dissera-nos Jesus: - Vocês são a luz do mundo. 

Medite: 


- Eu estou na Luz. A Luz está em mim. Eu sou Luz. 

Agradeça. Bendiga. Não desista nunca. 

O caminho espiritual cristão é a espiritualidade do Espírito Santo. Fogo. Chama. Luz. 

Por isto: viver no Espírito requer de nós DISCERNIMENTO E LUCIDEZ. 

Sejam todos abençoados, traçando sobre si mesmos o Sinal da Cruz. 

Pe. DaltonBarros de Almeida C.Ss.R.

Tags:

Artigos

0

Maria em nossa história

by nadia 17. May 2010 06:25

Maria em nossa história

SEG, 17 DE MAIO DE 2010 09:53 CNBB

Acompanhamos com alegria e devoção a viagem do Papa Bento XVIa Portugal e, em especial, a sua visita como peregrino a Fátima. Ele mesmo disse que foi como peregrino celebrar os 10 anos da canonização dos pastorinhos Francisco e Jacinta. Recordamos com muita emoção toda a mensagem de Fátima, que quer trazer à tona aquilo que a revelação cristã já assumiu, mas que necessita sempre ser renovado. É o mistério da revelação particular.

No mês de maio a cada ano comemoramos também o Dia das Mães, mas nos lembramos principalmente daquela que é o grande exemplo de Mãe e de Mulher: Nossa Senhora. Maria ocupa um lugar especial na história da Salvação e por isso ela é digna de todo o respeito e veneração, pois Deus quis utilizar-se de Maria de Nazaré para fazer com que seu Divino Filho chegasse até nós – “Quando chegou à plenitude dos tempos, mandou o seu Filho, nascido de mulher... para que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl 4,4-5). Constantemente, na história da salvação, Deus manifesta o seu amor de Pai junto a seu povo. O amor é revela do por meio de uma eleição: uma jovem é separada para que por meio dela o Filho de Deus pudesse assumir a humanidade decaída com o pecado. Assim como por meio de uma mulher (Eva), o pecado “entrou” no mundo, Deus separa uma mulher para que por meio dela chegue a Salvação: dá-se uma nova criação. Há um novo Adão e, do seu lado é tirada a mulher, a nova Eva; um novo povo é constituído.

Maria é a Mulher do sim. O sim dado ao Amor. A obediência dada por amor. A entrega dada no amor. Desta maneira, Maria tem uma grande importância na história da salvação e na vida dos cristãos. Certamente, a Virgem tem na Bíblia um lugar discreto. Ela aí é representada toda em função de Cristo e não por si mesma. Mas sua importância consiste na estreiteza de seus laços com Cristo. Maria está presente em todos os momentos de importância fundamental na história da salvação: não somente no princípio (Lc 1 – 2) e no fim (Jo 19,27) da vida de Cristo, mistérios da Encarnação e da morte redentora, mas na inauguração de seu ministério (Jo 2) e no nascimento da Igreja (At 1,14). Presença discreta, na maior parte das vezes, silenciosa, animada pelo ideal de uma fé pura e de um amor pronto a compreender e a servir aos desejos de Deus e dos homens (Lc1,38-39.46-56; Jo 2,3).

No Evangelho de Mateus, a pessoa de Maria aparece em dois momentos: nos relatos da infância (cf. Mt 1-2) e no ministério apostólico de Jesus (cf. Mt 12,46-50;13,54-58). O Evangelho de Mateus nos fala que Maria está intimamente ligada ao seu Filho Jesus Cristo desde antes do nascimento e, uma vez nascido para o mundo, está unida a Ele nos momentos fundamentais de sua vida e de seu ministério. Assim, Maria aparece, mesmo sem palavras, como testemunha da graça abundante de Deus para seu povo, e também como mãe que cuida e acompanha o Filho de suas entranhas.

No Evangelho de Marcos a pessoa de Maria aparece em duas passagens: Mc 3,31-35 eMc 6, 3-4. Nestes textos, Maria é a mãe biológica de Jesus que busca entender o filho juntamente com seus familiares. A mulher maternalmente solícita pela sorte do filho, mas que também é convocada a ser discípula na busca de compreender Jesus e sua missão e acolher a sua proposta.  Ela também podia estar entre os primeiros a nutrir preocupações ainda muito humanas pela missão e a obra de Jesus.

Detodos os Evangelhos, Lucas é o que mais nos fala de Maria. Primeiramente nos relatos da infância, em seguida no marco da atividade apostólica de Jesus, com quatro textos, dois dos quais coincidem com as tradições de Marcos e de Mateus(cf. Lc 4,16-30 e 8,19-21) e outros dois que pertencem à tradição própria de Lucas (cf. Lc 3,23 e 11,27-28); por último, no começo dos Atos dos Apóstolos, quando se inicia a história da Igreja (cf. At 1,14). Em Lucas percebemos a participação e a cooperação de Maria no plano da salvação, desde a anunciação até o início da Igreja: “todos estes unânimes, perseveravam na oração com algumas mulheres, entre as quais Maria, a mãe de Jesus, e com seus irmãos” (At 1,14).

A figura de Maria aparece no quarto Evangelho em duas ocasiões: no começo e nofinal do Evangelho. Em ambas, Maria é chamada “a Mãe de Jesus” (cf. Jo 2,1.3.5; 19,26), e em ambas a palavra do Mestre vai dirigida a ela com o nome de“mulher” (cf. 2,3;19,26). No Evangelho de João, Maria é chamada por dois nomes: “Mãe de Jesus” e “Mulher”. Enquanto a expressão “Mãe de Jesus” é um título que contrasta com a outra afirmação, “filho de José”, o termo “mulher” é comum em Jesus para dirigir-se às mulheres (cf. Mt15, 28; Lc13, 12; Jo4, 21; 8,10;20,13). Contudo, aqui, dito à sua Mãe tem uma conotação especial: o termo“mulher” dirigido por Jesus é um termo joânico que aparece em duas ocasiões (em Caná e na cruz) e forma uma espécie de inclusão. A mulher está presente no começo e no fim da vida pública, no momento em que o Messias inicia suas obras e na hora da morte, quando consuma sua obra.

Maria é de suma importância para a nossa fé e para nos inspirar a fazer a vontade de seu Filho: “fazei tudo o que ele vos disser” (Cf. Jo 2,5b). Diante disso, o nosso Papa Bento XVI, na V Conferência de Aparecida, fez ver este papel de Maria tão importante no seio da Igreja: “Como na família humana, a Igreja-família é gerada ao redor de uma mãe, que confere “alma” e ternura à convivência familiar. Maria, Mãe da Igreja, além de modelo e paradigma da humanidade, é artífice de comunhão. Um dos eventos fundamentais da Igreja é quando o “sim” brotou de Maria. Ela atrai multidões à comunhão com Jesus e na sua Igreja, como experimentamos muitas vezes nos santuários marianos. Por isso, como Virgem Maria, a Igreja é mãe” (Documento de Aparecida, n. 268).

Portanto, não podemos excluir Maria da nossa espiritualidade e da nossa vivência cristã, pois,onde Maria se torna ausente, também Cristo se torna irreal e abstrato. Em qualquer lugar da cristandade onde apareça Maria, cada coisa abstrata, cada forma vazia, assim como cada obstáculo desaparece e cada alma é imediatamente tocada pelo mundo celestial. Peçamos a Intercessão de Maria para que a cada dia possamos servir o seu Divino Filho e a sua Igreja.

Que as celebrações marianas nos ajudem a buscar o Cristo Senhor como nosso Salvador e para quem Maria nos aponta e manda que nos dirijamos e, levados pelo carinho filial, depositemos em Maria, nossa mãe, a nossa oração, o nosso pedido, para que possamos em tudo fazer a vontade do Pai que está nos céus.

Nesta nossa peregrinação temos Maria que nos acompanha com amor materno e nos ajuda a viver mais ainda com o Seu divino Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Dom Orani João Tempesta

 

Tags:

Artigos

0

MÊS DE MAIO - MÊS DE MARIA

by nadia 13. May 2010 06:41

A Devoção a Maria Santíssima

 

O nosso relacionamento, a nossa intimidade com Maria é essencialmente filial. O vínculo filiação-maternidade “determina sempre– como lembra a Encíclica Redemptoris Mater – uma relação única e irrepetível entre duas pessoas: da mãe com o filho e do filho com a mãe” (João Paulo II,Encíclica Redemptoris Mater, n. 45). E a medula desse vínculo, evidentemente, é o amor.

Por isso, só perguntando-nos pelas características que tornam autêntico esse amor é que descobriremos os traços da verdadeira devoção a Maria Santíssima. Com isso, perceberemos também melhor o que Deus quis que representasse para nós o imenso dom que nos fez, dando-nos Maria como Mãe.

Comecemos pelos aspectos dessa devoção que se nos impõem de maneira mais imediata. Um cristão que vive de fé sabe que Maria o ama e o auxilia com carinho de Mãe. Sabe-a voltada maternalmente para ele. É natural que, dessa certeza, flua espontaneamente uma sincera afeição filial. “Nada convida tanto ao amor – comenta São Tomás – como a consciência desentir-se amado” (Cf. São Tomás de Aquino, Summa contra gentes, IV, XXIII). A devoção mariana manifesta-se, por isso, em mil expressões, delicadas e fervorosas, de carinho de filho: no tom afetuoso da oração que dirigimos a Ela, na alegria de visitá-la nos lugares onde se quis fazer especialmente presente, nos muitos pormenores íntimos do coração, que o pudor vedaria externar.

Juntamente com esse afeto filial, e impregnando-o intimamente, brota também espontaneamente um sentimento de profunda confiança. “Nunca se ouviu dizer – reza uma bela oração atribuída a São Bernardo – que algum daqueles que tivesse recorrido à vossa proteção, implorado a vossa assistência, reclamado o vosso socorro, fosse por Vós desamparado”.

Esta certeira confiança dos fiéis exprimiu-se num leque multicolorido de invocações marianas, que traduzem a segura experiência do coração cristão: Mãe de misericórdia, Virgem poderosa, Auxílio dos cristãos,Consoladora dos aflitos, Onipotência suplicante… Era essa a confiança que fazia Dante escrever estes preciosos versos: Donna, se’ tanto grande e tanto vali, /che qual vuol grazia e a te non ricorre, / sua disianza vuol volar sanz’ali; “Senhora, és tão grande e tanto podes, que para quem quer graça e a ti não recorre, o seu desejo quer voar sem asas” (Divina Comédia, Par. XXXIII, 13-15).

Amor e confiança. Trata-se de sentimentos com fortes raízes no coração. Ora é bem sabido que os afetos do coração possuem muitas vezes uma sutil ambivalência: são sentimentos que a custo se equilibram na difícil passarela onde o amor beira sempre o egoísmo. Não é raro que os muito sentimentais sejam também muito egoístas.

Por isso, se a devoção a Maria não estivesse fundamentada nos alicerces da fé – da doutrina – e da caridade, poderia deslizar imperceptivelmente para os declives do egoísmo. Tal coisa aconteceria no caso de uma devoção meramente sentimental – não animada por desejos de entrega e de amor operante – que, embora cheia de efusões de ternura, não incidisse fortemente na vida para modificá-la. Mais facilmente ainda se daria essa deturpação se a devoção mariana se reduzisse a um simples recurso para alcançar uma “proteção” ou uns “favores” meramente interesseiros.

Esses desvios, contudo, não se darão se o nosso amor filial a Maria entrar, como deve, em sintonia com o seu amor maternal.

Pensemos que o coração da nossa Mãe, “cheia degraça”, é uma fornalha ardente de caridade, de amor a Deus e aos homens. Nele se encontra, em medida quase infinita, a caridade derramada pelo Espírito Santo(Cf. Rom 5, 5).

Isto significa que quem se aproximar dEla com um coração reto e sincero se sentirá necessariamente impelido para o amor a Deus e ao próximo. Este é o segredo divino da devoção a Maria. Foi de fato para nos facilitar a entrega a esse duplo amor – o mandamento que resume todos os outros– que Deus, em sua misericórdia, quis dar-nos Maria como Mãe.

É por isso que a devoção a Maria, bem vivida, é sempre como um sopro – fecundo, cálido e suave – que acende o amor na alma, inflama a generosidade e move a abraçar sem reservas a vontade de Deus.

“Se procurarmos Maria, encontraremos Jesus”, diz São Josemaria, fazendo-se eco da tradição cristã (É Cristo que passa, n. 144). No fundo de tudo o que a Virgem Santíssima sugere ao coração dos homens, sempre pulsam as suas palavras em Caná: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. A verdadeira devoção é, por isso, radicalmente “cristocêntrica” – conduz a Cristo–, é “teocêntrica” – leva para Deus. Nossa Senhora vive e faz viver em função de Jesus. Não pode haver aí nem sombra de “idolatria”.

Ao mesmo tempo, é claro que, se Maria nos leva a Jesus, indefectivelmente nos aproxima também dos nossos irmãos, que são irmãos de seu Filho e filhos dEla. Ela é a Mãe comum que nos faz sentir fraternalmente vinculados em Cristo, membros da família de Deus (Cf. Ef 2, 19), e nos desperta na alma ânsias de doação e de serviço aos outros. O Coração de Maria infunde calor e força ao amor dos irmãos.

Como vemos, se a Virgem Santíssima nos auxilia – e esta é a sua missão maternal –, é única e exclusivamente para nos colocar mais plenamente em face das exigências da nossa vocação cristã. É com este fim que Ela intercede por nós junto de Deus e distribui as graças que o Senhor colocou em suas mãos. Mesmo os favores maternos que Ela nos obtém em pequenas coisas – como em Caná – são incentivos de carinho que nos ajudam a agradecer e a retribuir a Deus as suas bondades. Em qualquer caso, Ela estende a sua mão para nos elevar – suave e fortemente – até à meta da nossa vocação cristã, que é a santidade.

Com razão se pode afirmar, por isso, que o amor de Maria por seus filhos é simultaneamente doce e exigente. “Nossa Senhora, sem deixar de se comportar como Mãe, sabe colocar os seus filhos em face de suas precisas responsabilidades. Aos que dEla se aproximam e contemplam a sua vida, Maria faz sempre o imenso favor de os levar até a Cruz, de os colocar bem diante do exemplo do Filho de Deus. E nesse confronto em que se decide a vida cristã, Maria intercede para que a nossa conduta culmine com uma reconciliação do irmão menor – tu e eu – com o Filho primogênito do Pai” (São Josemaría Escrivá, ib., pág. 195).

A Jesus “se vai” por Maria, e a Jesus “se volta” por Ela, diz Caminho (n. 495). Quando, ao rezar a Ave-Maria, nós lhe pedimos “rogai por nós, pecadores”, fazemo-lo com a consciência de que demasiadas vezes nos afastamos de Deus e, como o filho pródigo, precisamos voltar para a casa do Pai.

Maria torna suave, também, e esperançado esse retorno. Não é verdade que, perto da Mãe, nos tornamos a sentir crianças? Despojamo-nos da nossa triste armadura de adultos, forjada pelo orgulho, pela vergonha ou pela decepção. E então o fardo das nossas misérias já não nos esmaga. Com Maria, sentimo-nos crianças reanimadas pela ternura da Mãe, alegres por descobrir que, para um filho pequeno, sempre é possível levantar-se, sempre é possível recomeçar, sempre é hora de esperar. Ela é a porta perpetuamente aberta na Casa do Pai.

A Estrela da manhã, a Estrela do mar, a nossa Mãe, guia-nos por toda a estrada da vida, passo a passo, na bonança e na tormenta, nos avanços e nas quedas, até alcançarmos o repouso definitivo no coração do Pai. Nunca percamos de vista que “foi Deus quem nos deu Maria: não temos o direito de rejeitá-la, antes pelo contrário, devemos recorrer a Ela com amor e com alegria de filhos” (São Josemaria Escrivá, É Cristo que passa, n.142).

Intensifiquemos o empenho de amor e os pormenores de delicadeza para com a nossa Mãe nas festas e tempos que a Igreja dedica especialmente a Ela: mês de maio, Solenidade da Assunção de Maria, Novena da ImaculadaConceição, etc. Renovemos, com forte vitalidade, essas devoções – sempre unidas à recitação amorosa do Rosário – que, por Maria, nos levarão bem dentro do Coração de seu Filho Jesus.

Padre Faus, 26 de maio de2009

 

Extraído do site do PADRE FRANCISCO FAUS

Tags:

Artigos

0

O que é Encontro Vocacional Redentorista?

by Administrador 9. May 2010 18:11

 

Vocação... Existem muitos caminhos.

TENHO QUE ESTAR NO MUNDO? VIVER NO MUNDO!

ASSSUMIR A VIDA!

ENCONTRO VOCACIONAL REDENTORISTA, é para você, JOVEM, que deseja descobrir sua VOCAÇÃO, TORNAR-SE PESSOA!  Esta é a chance de você ver de perto a sua vocação. Um momento bom para descobrir o enorme amor de Deus para com você e a paixão que o atrai para junto dele e para o serviço a seu povo.

O Encontro Vocacional que oferecemos a cada JOVEM é o espaço de encontro consigo próprio = fazer a des-coberta do modo pessoal de ser; Encontro com Deus, mediatizado pelo encontro com os outros Vocacionados e a Equipe Psicopedágica. Tudo em vista de ajudá-lo a assumir a coragem de ser você mesmo, como disse Jesus: SOU EU MESMO. Pessoa aberta ao aprendizado constante. Sujeito da própria história..

Você é convidado! Participe! Data: 02 a 06 de junho de agosto em Belo Horizonte, MG. 

Um espaço, tempo para se conhecer, se expressar, se dar a conhecer, se abrir para ganhar mais brilho interior, leveza para ser livre e fiel ao chamado de Deus, descobrindo suas potencialidades, aptidões, trabalhando as fragilidades, fortalecendo sua identidade e dando condições para você cultivar seu desejo de ser um Missionário Redentorista, Padre ou Irmão, conhecendo o CARISMA REDENTORISTA, nosso jeito de ser presença do Santíssimo Redentor no mundo a serviço dos mais Pobres e Abandonados. 

Atenção! Participa do Encontro Vocacionai Redentorista somente os Jovens que estejam cursando a 8ª série em diante ou que já tenha algum curso superior (até 27 anos). Para participar do Encontro Vocacional, é necessário entrar em contato com o responsável, Pe. Mauro de Almeida, C.Ss.R - Coordenador do Encontro Vocacional Redentorista. Vagas limitadas. Veja nosso endereço no site!

Bem-vindo!!! Entre em contato conosco. Vinde e vede! É lindo ver o outro crescer, revendo a história e ousando novos caminhos!

O sim de Maria nos encoraja a dizer sim a Deus!

Com afeto de Pastor aprendiz, Pe. Mauro de Almeida, C.Ss.R.

Clique aqui e preencha sua ficha de cadastro.

Coragem, Jovem! Põe-te a caminho...! Deixe se acompanhar!

1

Oração e testemunho

by nadia 30. April 2010 06:01

Oração e testemunho

QUI, 29 DE ABRIL DE 2010 09:10 CNBB

No último final de semana, celebramos o assim chamado “Domingodo Bom Pastor”, pois a cada ano, na riqueza da liturgia pascal, ouvimos uma parte do texto do capítulo décimo do Evangelho de São João, onde ele nos fala que Jesus é o Pastor que cuida de todas as suas ovelhas com o mesmo cuidado,sem se descuidar de nenhuma. É então uma oportunidade para que toda a Igreja Católica se una em suas preces em pedir ao Senhor da messe que envie mais operários, ou seja, é a Jornada mundial de oração pelas vocações.

Desde que foi intitulado este domingo em prol das orações pelas vocações, o Santo Padre envia sua mensagem a toda a Igreja. Neste recente domingo do “Bom Pastor” e também do 47º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, o Papa Bento XVI fez uma reflexão muito preciosa, a qual teve como tema: “O testemunho suscita vocações”.

Tivemos aqui no Rio de Janeiro a oportunidade de refletir sobre esse tema, com o auditório do Colégio de São Bento completamente lotado durante três dias, no Simpósio sobre o Ano Sacerdotal, promovido pela Faculdade São Bento. Também o Centro Dom Vital, em parceria com a PUC do Rio de Janeiro, promoveu uma mesa redonda sobre a Igreja ante os desafios do presente. São ocasiões em que, além das celebrações e orações pelas vocações, também a reflexão vem em auxílio para aprofundamento do tema sugerido para este ano pelo Papa Bento XVI.

Como seu texto, o nosso querido Papa quis mais uma vez reavivar a chama daqueles jovens que se sentem chamados por Deus e também quis suscitar para que todo o “orbe católico” continue a rezar pelas vocações, pois, apesar de existir os que não foram fiéis à sua missão, olhamos com gratidão para aqueles sacerdotes que são exemplos de entrega e que, com o seu testemunho e a sua maneira de conduzir o seu rebanho, são um “Alter Christus”.  Nesse sentido, o Papa nos diz:“desejo convidar todos aqueles que o Senhor chamou para trabalhar na sua vinha a renovarem a sua fidelidade de resposta, sobretudo neste Ano Sacerdotal que proclamei por ocasião dos 150 anos de falecimento de São João Maria Vianney, o Cura d’ Ars, modelo sempre atual de presbítero e pároco” (Mensagem de Bento XVIpelo 47º Dia de oração pelas Vocações).

Na vocação, é importante destacar a livre e gratuita iniciativa de Deus e também a responsabilidade da resposta daquele que se sente chamado, como a própria etimologia da palavra sugere. Se Deus chama, o que escuta o chamado, mesmo com anseios e aparentes incertezas, descobre que é bom fazer parte e ser um cooperador do “Ministério de Cristo”. Esse chamado, que supõe participação concreta em uma comunidade, é também abertura do coração ao chamado de Deus que pouco a pouco irá amadurecendo e esclarecendo. Temos exemplos do testemunho de tantos sacerdotes fiéis à sua missão, cujas vidas serviram para suscitar novas vocações sacerdotais e religiosas para o serviço do seu povo.  Quantas pessoas hoje, na sua infância, não tiveram exemplos belíssimos de consagrados que suscitaram passos importantes em sua vida cristã? Isto porque aquele padre era ou é para eles um sinal de seguidor do Senhor e também um bom pastor, basta recordar os padres recentemente beatificados.

Para ser um verdadeiro “pastor de almas”, o Papa Bento XVI nos apresenta três aspectos necessários e importantes para os sacerdotes e para aqueles que se sentem chamados à vocação sacerdotal e à vida consagrada: 1- A amizade a Cristo 2- O dom total de si mesmo 3- Viver em Comunhão.

Quanto ao primeiro ponto, que é a amizade com Cristo, o sacerdote deve se espelhar em Cristo como grande Homem-Orante que constantemente estava em intimidade com o Pai. O padre é aquele que, como São João, deposita a sua vida no lugar maior de intimidade, que é o Coração de Jesus. Dessa maneira, o sacerdote é chamado a ser um homem de Deus, que na sua intimidade com o Senhor e como bom pastor, leve também suas ovelhas a terem esta mesma experiência de oração e encontro com o Senhor. A oração, assim, é o primeiro testemunho que suscita as vocações. Oração esta tanto do sacerdote quanto da comunidade.

O segundo aspecto é o dom total de si mesmo, pois, a maior oferta a Deus é a própria vida, “Nisto conhecemos o amor: Jesus deu a vida por nós e nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos” (1Jo 3, 16). Com este convite somos chamados a fazer o que Cristo fez: “servir” e ser obediente ao Pai. Vemos esta atitude do“servir” e que Nosso Senhor nos deixou como exemplo na “última Ceia”, quando instituiu a “Eucaristia” e também fez o belo gesto do lava-pés, deixando assim para todos os seus seguidores que o bem maior é “servir a Deus e ao próximo”.

O terceiro aspecto é o de viver a comunhão profunda no amor: “é nisto que todos saberão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,35). O padre é chamado a ser o homem da comunhão – “aberto a todos, capaz de fazer caminhar unido todo o rebanho que a bondade do Senhor lhe confiou, ajudando a superar divisões, sanar lacerações, aplanar contrastes e incompreensões ,perdoar as ofensas” (Mensagem de Bento XVI pelo 47º Dia Oração pelas Vocações).

Portanto, escutemos o apelo do Papa em rezar pelas Vocações e para que tenhamos inúmeros e santos sacerdotes, pois sabemos quão importante é a vocação sacerdotal e religiosa.  O sacerdote não vive para si, mas para os outros. E vivendo desta maneira, ele santifica os seus fiéis e se santifica por meio do serviço. Contudo, pedimos ao Senhor que envie bons pastores para a sua “Divina Messe”.

Tenho encontrado muitos belos exemplos e homens heróicos em sua doação de vida pelo próximo! Quantos exemplos e quantos corações generosos! Por isso, continuemos a rezar pelas vocações em nossa Arquidiocese, bem como em todas as Paróquias e Comunidades. A Obra das Vocações Sacerdotais e os outros grupos que se propõem a essa tarefa realizam uma bela e importante missão: “pedi ao dono da messe que envie operário para a colheita”.

Dom Orani João Tempesta

 

Tags:

Artigos

0

Artigo de Dom Vilson Dias de Oliveira, DC

by nadia 1. April 2010 06:45




Artigo de Dom Vilson Dias de Oliveira, DC 
Bispo Diocesano de Limeira-SP

REFLEXÕES SOBRE O TRÍDUO PASCAL

Arquivadoem: Destaque — Clube da Evangelização at 8:55 am on segunda-feira, abril 6, 2009

A Festa anual da Páscoa

Não se pode precisar, mas deve ter sido no século II que, além de continuar celebrando o “primeiro dia da semana” como “o dia do Senhor”, se procurou solenizar, de um modo especial dentro do ano, o domingo concreto que coincidia com a Páscoa da ressurreição, isto é, o primeiro domingo depois da Páscoa judaica, com a lua cheia de primavera e na qual Cristo celebrou a última ceia na véspera de sua morte e três dias antes de ressuscitar.

Sentido do Tríduo Pascal

O Tríduo Pascal é a maior celebração das comunidades cristãs. A Páscoa é o centro do ano litúrgico, fonte que alimenta a nossa vida de fé. Celebrar o Tríduo Pascal da paixão e ressurreição do Senhor é celebrar a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus que o Cristo realizou quando, morrendo, destruiu a nossa morte e ressuscitando, renovou a vida.

Quando teve início o Tríduo Pascal?

No final do século IV, encontramos já organizado um tríduo pascal, que Santo Agostinho recomenda vavivamente a seus fiéis. Formavam, em princípio, o tríduo: a sexta-feira, o sábado e o domingo. É no século VII que o tríduo se inicia com a “Ceia do Senhor” na tarde da quinta-feira, com o que fica ele constituído pela quinta-feira, pela sexta-feira e pelo sábado - aí incluída a vigília pascal. As três datas formam uma unidade: a celebração do mistério pascal.

O que celebramos na Quinta feira Santa?

O Senhor celebrara com os seus a última ceia no contexto da páscoa judaica: a comemoração da passagem de Israel pelo Mar Vermelho. Nesse dia, Cristo inaugura a nova Páscoa ,a da aliança nova e eterna, a de seu pão compartilhado e seu sangue derramado, a de seu amor levado ao extremo e do mandato do amor para nós, a de sua passagem pela morte à ressurreição, a Páscoa que devemos celebrar em sua comemoração. Eucaristia, sacerdócio, mandato do amor e nova Páscoa do Senhor são o conteúdo preciso da missa da Ceia do Senhor. O transporte das formas(hóstias) consagradas à urna para acomunhão da sexta-feira inicia-se no século XIII. O “monumento” (local físico) é elemento acidental e só encontra sentido em vinculação com o mistério celebrado: agradecimento ao amor de Cristo e oração- reflexão do mistério pascal.

O que celebramosna Sexta feira Santa?

Como vem acontecendo há muito tempo, hoje não se celebra a missa, tendo lugar a celebração da morte do Senhor: o mistério que é celebrado é uma cruz dolorosa e sangrenta, mas ao mesmo tempo vitoriosa e resplandecente. Trata-se de morte, a de Cristo, real e tremenda; mas é passagem para uma vida ressuscitada e eterna. O amor de Deus, que é vida, terá mais poder do que o pecado do homem, que é morte. A celebração incorpora-nos à redenção de Cristo e a seu mistério de salvação universal: pela morte à vida.

O que celebramos na Vigília Pascal?

Contamos com documentos do início do século III, que apresentam alguns elementos desta celebração, tais como: jejum, oração, eucaristia - e até batismo, com a bênção da “fonte batismal”. Vão-se acrescentando depois novos elementos: o canto do Exultet, que vemos documentado no século IV e a bênção do círio pascal, no século V. Pouco a pouco, foi-se enriquecendo esta última, que deve ser “acelebração das celebrações” para o cristão, e a que Santo Agostinho denominava “Mãe de todas as vigílias”.

É o Senhor quem nos convida a celebrar sua Páscoa!

Assim ouvimos com alegria: “Cristo ressuscitou, verdadeiramente, dos mortos”! Num duelo admirável a morte lutou contra a vida, e o Autor da vida se levanta triunfador da morte.Terminou o combate da luz com as trevas, combate histórico de Jesus com os fariseus e todas aquelas pessoas que não acolheram o Reino de Deus. Após as trevas brilhará o sol da Ressurreição! Nada, pois, mais necessário do que viverem intensidade estes dias sagrados e abrir os corações às inspirações divinas. Então a Páscoa será abençoada e sinal de novas conquistas e de vida plena para todos. Participe destes importantes dias onde celebramos a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. Boa Páscoa a todos vocês!

Dom Vilson Dias deOliveira, DC - Bispo Diocesano de Limeira-SP 

Tags:

Artigos

0

Artigo de Dom Orani João Tempesta

by nadia 1. April 2010 06:30

Celebrações Pascais

QUA, 31 DE MARÇO DE 2010 10:13 CNBB

Estamos agora no Tríduo Pascal. A Quaresma, iniciada na Quarta-feira de Cinzas, se conclui na Quinta-feira Santa, antes da Missa da Ceia do Senhor. Com esta Missa iniciamos o Tríduo Pascal que, como nos recorda a Igreja, “não é preparação do Domingo da Ressurreição, mas é, segundo as palavras de Santo Agostinho, o sacratíssimo Tríduo do Crucificado, Sepultado e Ressuscitado”. Ainda mais: “oTríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor, que começa com a Missa Vespertina da Ceia do Senhor, possui o seu centro na Vigília Pascal e encerra-se com as Vésperas do Domingo da Ressurreição”. “É o ápice do ano litúrgico porque celebra a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus pelo seu mistério pascal, quando, morrendo, destruiu a nossa morte e, ressuscitando, renovou a vida”.

Neste Ano Sacerdotal que estamos por findar, gostaria de refletir sobre a Quinta-feira Santa, dia tão importante para a unidade presbiteral. Pela manhã, em nossas catedrais, celebramos a chamada Missa do Crisma, na qual os sacerdotes renovam os seus compromissos e levam para suas comunidades os Santos Óleos, abençoados e consagrados, para a administração dos sacramentos durante o ano, também como sinal de unidade.

Na Quinta-feira Santa à tarde, quando se inicia o Tríduo Pascal, a Igreja celebra a instituição do maior dos sacramentos, a Eucaristia. É o sacramento do amor –sacramentum caritatis. A oferta de Jesus na cruz foi sacramentalmente antecipada na Última Ceia pelas palavras do Divino Mestre sobre o pão e sobre o vinho, respectivamente: Isto é o meu corpo entregue. Este é o cálice do meu sangue, o sangue da Nova e Eterna Aliança, derramado...

Jesus, com efeito, ordenou aos Apóstolos que, repetindo o seu gesto, celebrassem sacramentalmente o Seu sacrifício ao longo da história da Igreja. A Igreja, na verdade, recebeu a ordem de celebrar a Eucaristia como um verdadeiro dom, um presente inestimável de Deus. Pela Eucaristia, a Igreja é associada ao sacrifício redentor de Cristo em favor da salvação do mundo. Pela Eucaristia, apresença de Jesus à Igreja se realiza de um modo intenso e extraordinário. Pela Eucaristia, o Povo de Deus a caminho é alimentado e fortalecido com o Pão do Céu.

Vemos, assim, a importância da nossa participação anual nessa celebração e a alegria de celebrá-la solenemente aos domingos e dias de semana. Esse grande dom que o Senhor nos concede, alimentando-nos com Seu Corpo e Seu Sangue, também nos fala pelas Escrituras e nos une em comunidade de fé como irmãos e irmãs – e nos envia ao mundo com a missão de anunciar a todos a Boa Notícia.

Ao ordenar aos Apóstolos a celebração da Eucaristia, Jesus instituiu o sacerdócio ministerial. Na Igreja, em virtude do Batismo, todos são inseridos no único sacerdócio de Cristo. Entretanto, como o Plano de Deus obedece à economia sacramental, existem na Igreja aqueles que fazem às vezes de Cristo Sacerdote, Cabeça da Igreja. Estes são os sacerdotes ordenados. Ora, o sacerdócio ordenado existe para o bem do Povo de Deus. Pela pregação da Palavra de Deus, pelo governo da Igreja, pela celebração dos sacramentos, especialmente a Eucaristia, o ministro ordenado, representando Cristo Cabeça, serve aos fiéis batizados afim de que todos sejam associados ao único Sacerdote da Nova e Eterna Aliança.

Com efeito, Cristo inaugurou um novo sacerdócio, o sacerdócio da Nova Aliança. Os sacerdotes do Antigo Testamento ofereciam a Deus sacrifícios externos, como o novilho ou o cordeiro. Jesus, no entanto, ofereceu ao Pai a sua própria vida. De outra coisa não quis saber senão de obedecer em tudo ao seu Pai. O sacrifício que Jesus Sacerdote ofereceu a Deus é um sacrifício existencial, o sacrifício da vida conformada à vontade divina. A morte na cruz é o grande sinal de que Jesus não se acovardou, mas levou até o fim a missão que o Pai lhe confiara. Jesus é o novo Adão. O velho Adão desobedeceu a Deus, mas o novo foi-lhe fiel até o derramamento do próprio sangue.

Para que a humanidade se renovasse e pudesse obedecer a Deus à semelhança do Homem Novo, Jesus Cristo, Ele dispôs que todos os homens se associassem a seu Filho pela graça. A graça é uma ajuda, um favor de Deus concedido em benefício da nossa fraqueza. A graça de Deus nos tira do pecado, renova-nos, santifica-nos e nos dispõe para receber um dia a glória celeste em todo o seu esplendor. Ora,de acordo com a economia sacramental do Plano de Deus, a graça de que necessitamos vem até nós de modo especial pelos sacramentos, especialmente a Eucaristia. A Eucaristia comunica-nos a vida mesma de Cristo, a fim de que façamos o que Cristo fez: entregar a vida a Deus como um sacrifício de louvor. Na verdade, servir a Deus significa realizar nossa suprema vocação. E servir a Deus é reinar.

O sacerdócio ordenado, na verdade, resulta de uma especial participação do sacerdócio de Cristo e, como tal, existe para o bem espiritual do Povo de Deus. Os ministros ordenados, sobretudo pela celebração da Eucaristia, perpetuam sacramentalmente o sacerdócio de Cristo e, assim, levam aos fiéis os dons da Redenção, associando a Igreja ao sacrifício de seu Esposo. A finalidade suprema é a união com Cristo e a tradução dessa união em gestos concretos de amor ao próximo. Deixar que a vida de Cristo seja a nossa vida é a grande meta de todos nós. Como Cristo ofereceu-se ao Pai, a Igreja também deve fazê-lo. E a força que ela recebe para isso vem do próprio Cristo, que, por seus ministros ordenados, atua eficazmente em favor de seu Corpo Místico.

Recorda-nos o rito de ordenação de presbíteros: “Este irmão, após prudente exame, será constituído sacerdote na Ordem dos Presbíteros, para servir ao Cristo Mestre, Sacerdote e Pastor, que, por seu ministério, edifica e faz crescer o seu Corpo, que é a Igreja, como povo de Deus e Templo do Espírito Santo.” E ainda: “Desempenha, portanto, com verdadeira caridade e contínua alegria, a missão do Cristo sacerdote, procurando não o que é teu, mas o que é de Cristo”.

Que a Quinta-feira Santa, dia da Eucaristia e da instituição do sacerdócio ordenado, seja para o Povo de Deus, principalmente para os sacerdotes, o grande dia de contemplar o amor de Deus. O Senhor deixou à Igreja o sacramento da caridade, e o sacerdócio ordenado, que, nas palavras de São João Maria Vianney, é “o amor do coração de Jesus”. Que o Ano Sacerdotal, que ora celebramos, reavive em nós a consciência da importância da Eucaristia e dos ministros ordenados para a vida da Igreja. E os ministros ordenados agradeçam ao Senhor, sabendo que tudo é dom de Deus para o bem da Igreja, e sejam fiéis ao dom recebido, mostrando pela vida e pelas palavras que a fidelidade de Cristo é que garante a fidelidade do sacerdote. “Seja, portanto, a tua pregação, alimento para o povo de Deus e a tua vida, estímulo para os féis, de modo a edificares a casa de Deus, isto é, a Igreja, pela palavra e pelo exemplo”.

Ao agradecer a Deus pelo Seu Filho presente entre nós, de modo especialíssimo pela Eucaristia, pois acreditamos nas Palavras que Ele nos deixou nas Escrituras, rezemos também pelos que são chamados a servir ao Povo de Deus no ministério sacerdotal, entregando suas vidas para a glória de Deus e a santificação das pessoas.

Nós recordamos com carinho que na Sexta-feira Santa deste ano, dia 2 de abril,voltava para a casa do Pai o nosso querido Papa João Paulo II, o grande Servo de Deus, fiel até o fim, dando a sua vida até o último suspiro na fidelidade ao Evangelho, e que governou a Igreja de 1978 a 2005.

As celebrações da Paixão e Morte do Senhor na Sexta Feira Santa e grande Vigília Pascal, quando renovamos as promessas batismais, completarão esse importante tríduo sacro, centro de nosso ano litúrgico. Somos todos convidados a “fazer Páscoa”, participando com nossas comunidades desses momentos marcantes de nossavida católica.

Ao iniciarmos com esta celebração da Ceia do Senhor as celebrações pascais deste ano, permitam-me agradecer a todos pela comunhão e unidade e desejar que a Páscoa que ora vivemos possa iluminar todos os momentos de nossas vidas e ser o centro de toda a nossa história. Ter a certeza de que, com Cristo, passamos da morte para a vida, e na madrugada do primeiro dia da semana, iremos, também nós, anunciar ao mundo a grande notícia: o Senhor está vivo, Ele está conosco, Ele Ressuscitou! Aleluia!

Feliz Páscoa a todos!

Dom Orani João Tempesta

 

Tags:

Artigos

0

Silêncio: fonte criadora.

by nadia 23. February 2010 10:42

Silêncio: fonte criadora.

O cultivo do silêncio como fonte de criatividade e gratidão.

Novo tempo, outro ciclo. Possibilidades de escutar mensagens e provocações de recantos distintos, além dos já conhecidos ou de sentir com maior acuidade as profundezas da vida. Ninguém agüentaria estar sempre mergulhado nas frenéticas baladas carnavalescas. Ainda mais numa época que supervaloriza a "curtição" a todo custo. Como se a história humana fosse somente exposição ou a exteriorização de sons, cores, amores. Talvez o melhor do ciclo presente (quaresmal) seja a possibilidade de contar também com o silêncio. É preciso visitá-lo no espaço que se chama deserto e ali abraçar também as cruzes do caminho. Deserto onde o Povo de Deus esteve na sua experiência de Êxodo e também Jesus, passando pelas tentações (Lc 4, 1-13). Aliás, suspeita-se que seja no deserto que as coisas mais intensas e descobertas importantes emergem no cotidiano. Sem uma saudável cota de solidão da alma, talvez não haja como colher o broto nascido de sementes escondidas.

O ritmo quaresmal, bem mais comedido, moderado, possibilita ao humano visitar sua morada e num recolhimento necessário notar como andam suas arrumações. Sair um pouco do barulho, de tantas vozes de fora, abre espaço bom para também escutar os rumores internos de onde emergem as pulsões vitais ou destruidoras. Não se trata de inércia, mas de buscar o silêncio de onde emergem palavras novas. Adélia Prado já dizia que "a palavra é disfarce de uma coisa mais grave". Do contrário, os ruídos seriam a forma mais autoritária de distanciar o ser humano de seu silêncio criador. Não é raro esbarrar com uma massa grande de pessoas que falam demais, sem dizer coisa alguma. Sem a voz do silêncio, será oca a comunicação humana. Despir-se dos dizeres comuns para dar conta dos amores e dores do viver. Por que será que os lutos, as tristezas tornam-se cada vez mais insuportáveis nos dias atuais? Certamente porque tais situações devolvem a todos a ausência de palavras, de explicações. As palavras se esvaziam!   

Silenciar-se não significa isolamento ou tirar os outros do horizonte. Talvez seja o contrário: confessar que a casa que se chama mundo é casa compartilhada. Não é propriedade privada de ninguém porque existe antes, é dom. Retirar-se dos palcos, das pretensões centralizadoras é colher a herança que se é como criaturas. Ninguém inaugura algo totalmente novo, a partir de um ponto zero. A atitude mais nobre será a gratidão e a memória agradecida por reconhecer nas conquistas o mistério escondido que sustenta a vida. Tal movimento possibilita a escuta e o encontro com aqueles que cruzam as estradas da vida. O silêncio ajuda a cultivar a escuta daquilo que é diferença. Que não coincide com as especulações ou preferências particulares. Abre o coração para o plural da vida e torna o"escutador" mais dócil ao aprendizado e mais humilde em relação às suas verdades. Acolhe mais o outro.

Resgatar o silêncio acolhedor é caminho que abre horizontes de fé. Sabendo-se precário em sua existência e não se encontrando como fundamento próprio, o humano suplica por um Senhor. Na experiência cristã o Senhor é aquele mesmo que se esvaziou, ganhando as feições frágeis dos humanos. É próximo e amigo. Também vive o encontro com a morte em sua feição tão trágica. Silêncio amoroso da cruz, transformado em Páscoa. A experiência espiritual da quaresma ensina, pois, a reconhecer o caminho da cruz de Jesus como lugar de redenção. Do silêncio maior, brota a palavra criadora de Deus.Como conseqüência, o ser humano aprende que mesmo no caos da morte é possível confiar e esperar. É da cruz de cada dia, lugar da solidão e do deserto, que também pode brotar o grito de fé: salva-nos, Senhor! Um grito que se torna maior do que qualquer palavra. Explode como entrega confiante e operante capaz de caminhos novos de ressurreição e vida.  

Autor: Pe. Vicente de Paula Ferreira, C.Ss.R.

Tags:

Artigos

0

Artigo de Dom Orani João Tempesta, O. Cist.

by nadia 12. February 2010 06:26

A caminho da Páscoa 

QUI, 11 DE FEVEREIRO DE 2010 14:06 CNBB

Na próxima semana entraremos no tempo da Quaresma – sempre é único e especial esse momento da liturgia. Necessitamos de um espaço para olhar a nossa vida e buscar acolher a graça de Deus que nos convida a sermos novos. A oração, penitência, jejum, esmola, lectio divina, confissão sacramental, reflexões, confissões, fazem parte deste tempo, juntamente com uma sobriedade na liturgia (sem o hino do Glória, a aclamação do Aleluia, as flores e sem solenizar demais as celebrações), procurando concentrar naquilo que é essencial em nossas vidas.

Todos nós necessitamos de um tempo de reflexão e mudança. Durante o ano tantas situações vão se sucedendo e colocando-nos muitas vezes fora do caminho do Senhor. Os 40 dias que tornam presentes os dias de Jesus no deserto, e também os anos do povode Deus na caminhada do Êxodo, saindo das escravidões para a vida nova, passando pelo Mar Vermelho e celebrando a aliança com Deus, nos recordam que é tempo de renovar nossa vida batismal e nossa aliança com o Senhor. Para isso há este tempo de contrição que deve conduzir-nos a uma nova vida – eis que tudo passou e se fez novo, queremos cantar e anunciar!

É também um tempo de especial preparação para a grande festa da Páscoa. A Santa Igreja celebra todos os anos os mesmos tempos e festas previstos no seu Ano Litúrgico para atualizar a salvação, fazendo-a crescer sempre mais nos corações. Neste ano a celebração do tempo quaresmal deve trazer novidades para o incremento da vida cristã, a fim de que a celebração pascal produza abundantes frutos em nossa existência individual e comunitária. Deus é quem possibilita que sejamos sempre mais. A cada ano, o Amor divino quer nos atrair para mais perto de si. A vida humana e cristã é essencialmente dinâmica porque Deus, nosso Criador e Salvador, é a força que nos impulsiona e nos estimula a crescer cada vez mais. Nossa caminhada não pode parar enquanto não repousarmos plenamente em Deus.

A Quaresma quer ser para nós um tempo especial, um tempo de verdadeira graça e conversão. O importante é que não deixemos que este tempo favorável passe em vão. Lembremo-nos de que neste mundo tudo muda. Se não mudarmos para melhor, se não avançarmos, começamos a regredir, porque nada sob o tempo permanece imutável. O período quaresmal quer ser, então, um tempo especial de mudança para melhor. Muitos são os exercícios de piedade que podemos fazer durante o tempo quaresmal. Avia-sacra é um deles. A meditação do caminho sagrado percorrido por Jesus é apta a despertar em nós o amor que levou o Filho de Deus a entregar-se ao Pai e aos homens. Mas há muitas outras formas de viver bem a Quaresma. Devemos aprender a orientar nossos desejos. A Igreja sempre recomendou a penitência e o jejum como meio de educação da vontade e das paixões. Uma vontade firme e bem decidida é capaz de realizar maravilhas, com a ajuda, indispensável e fundamental da graça de Deus. O homem que não orienta bem as suas paixões acaba tornando-se escravo delas. Muito pode ajudar-nos nessa tarefa de educação da vontade e orientação das paixões a frequência ao sacramento da penitência ou da confissão. Nesse sacramento acontece um verdadeiro diálogo de salvação, através do qual Deus nos liberta do peso das faltas e nos dá novo vigor ao espírito. Que a penitência, da qual o bom cristão não pode descuidar, seja uma marca de nossa caminhada quaresmal.

Jamais podemos nos esquecer da vida de oração. A oração é comunhão com Deus, é intimidade com Ele, é fonte de bênçãos incontáveis. Jesus é o grande mestre e modelo de vida orante. A Escritura nos diz que o Salvador passava noites inteiras em oração. Na Quaresma podemos intensificar nossa vida de oração e de comunhão com Deus. Devemos saberque nossa oração deve ser orientada por tudo aquilo que Jesus nos revelou. Uma oração bem feita nunca deixa de lado a Palavra de Deus, que é constante mente explicada e atualizada pelos ensinamentos da Igreja. Deus nos amou por primeiro. Ele nos falou por Jesus Cristo. A oração é resposta ao amor e à Palavra de Deus.

O mandamento do Amor deve ser a grande luz a iluminar-nos o caminho quaresmal. Nós amamos porque, antes, fomos amados por Deus. O nosso amor cristão é sempre uma expressão do amor que recebemos da Trindade Santíssima.

Durante a Quaresma, há uma boa maneira de nos ajudar a descobrir a necessidade de conversão. AIgreja Católica no Brasil celebra a Campanha da Fraternidade a fim de estimular práticas bem concretas de amor ao próximo e de mudança de mentalidade. Este ano a Campanha foi elaborada pelo Conic. As CFs sempre foram ecumênicas e dirigidas a toda a sociedade, e agora versa sobre a economia. O tema figura assim: Economia e vida; e o lema: Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6,24c). O objetivo é o seguinte: Unir Igrejas cristãs e pessoas de boa vontade na promoção de uma economia a serviço da vida, sem exclusões, criando uma cultura de solidariedade e paz”. De fato, o mundo da economia não pode ser regido somente pela sede de lucros. Uma quota de gratuidade deve sempre existir como expressão de reconhecimento da dignidade de cada pessoa. Uma economia que tem em vista o lucro a qualquer custo só pode gerar exclusões e misérias, e, como tal, não é digna do homem. A economia deve existir para o bem do homem, não ocontrário. As nossas reuniões de grupo, de comunidades, círculos bíblicos,juntamente com as reflexões litúrgicas, irão aprofundar esse tema importante e necessário. No domingo de Ramos iremos entregar em nossas comunidades o dinheiro fruto de nossas penitências quaresmais para a Campanha da Solidariedade, que o utilizará para projetos sociais na Arquidiocese e na Igreja do Brasil.

Com a Quarta-feirade Cinzas entramos neste tempo, reconhecendo que somos pecadores necessitados de conversão. Infelizmente, a nossa sociedade não se preocupa em guardar o tempo quaresmal, mas cabe a nós, católicos, fazê-lo de tal forma que seja realmente vivenciado e propício para a renovação de nossas vidas.

Por fim, o meu desejo, que agora expresso de todo o coração, é que esta Quaresma nos prepare, de fato, para celebrar dignamente a Páscoa do Senhor. Nada como romper o Aleluia pascal com o coração purificado, a mente elevada a Deus e o olhar direcionado ao irmão. Que a vitória do Ressuscitado sobre o pecado e a morte seja também a nossa vitória!

Dom Orani João Tempesta,O. Cist.

Tags:

Artigos

Powered by BlogEngine.NET 1.4.5.0
Original Design by Laptop Geek, Adapted by onesoft